Glossário

Definições objetivas dos termos centrais de gestão de obras, CAPEX, cronograma, compliance e incorporação imobiliária no Brasil.

Cronograma

Cronograma de obra
Plano temporal das atividades de uma obra, com prazos, dependências e marcos.
Documento que organiza atividades, prazos, dependências e marcos contratuais de uma obra. É a base para medições, fluxo de caixa e replanejamento. No Brasil é apresentado em Gantt e curva S, geralmente alinhado ao EAP/WBS do projeto.
Leia mais: cronograma de obra caminho critico
Caminho crítico (CPM)
Sequência mais longa de atividades dependentes que define o prazo total da obra.
Cadeia de atividades cuja folga é zero — qualquer atraso nela atrasa a obra inteira. O método CPM (Critical Path Method) é usado para identificar onde concentrar atenção, recursos e mitigação de risco.
Leia mais: cronograma de obra caminho critico
Curva S
Gráfico cumulativo de avanço físico e/ou financeiro de uma obra ao longo do tempo.
Recebe esse nome pelo formato de 'S' característico — avanço lento no início e fim, rápido no meio. É a métrica padrão para comparar planejado vs. executado e detectar desvios cedo.
EAP / WBS
Estrutura Analítica do Projeto: decomposição hierárquica do escopo em pacotes de trabalho.
Quebra o projeto em entregas e pacotes gerenciáveis. É a base para cronograma, orçamento e controle de mudanças. Sem EAP bem definida, medição e replanejamento ficam inconsistentes.

Orçamento & Custos

CAPEX imobiliário
Investimento de capital em ativos imobiliários — terreno, construção, retrofit e equipamentos fixos.
Engloba todos os gastos capitalizáveis de um empreendimento: aquisição de terreno, projetos, construção, instalações e capex de manutenção pesada. Diferente de OPEX, é amortizado ao longo da vida útil do ativo. Fundos imobiliários e incorporadoras gerenciam CAPEX como métrica central de retorno.
Leia mais: capex incorporacao imobiliaria
OPEX
Despesas operacionais correntes de um ativo imobiliário — manutenção, energia, gestão.
Custos recorrentes para operar o ativo, como condomínio, energia, manutenção leve, IPTU e gestão. São contabilizados no resultado do período, não capitalizados. A relação CAPEX/OPEX define a estratégia de gestão patrimonial.
SINAPI
Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa e IBGE.
Referência oficial de preços de insumos e composições para obras públicas e privadas no Brasil. Atualizado mensalmente por estado. Obrigatório para licitações públicas (Lei 14.133/21) e amplamente usado como benchmark no setor privado.
Leia mais: software gestao de obras brasil
SBC (SICRO/SBC)
Sistema de custos referenciais de obras de infraestrutura, usado por DNIT e órgãos rodoviários.
Banco de composições de custo para obras de infraestrutura, especialmente rodoviárias. Complementa o SINAPI quando os serviços são de pavimentação, drenagem ou arte especial.
BDI
Benefícios e Despesas Indiretas — percentual aplicado sobre custo direto para chegar ao preço de venda.
Inclui administração central, impostos sobre faturamento, financeiro, riscos e lucro. No Brasil, o BDI típico em obras privadas varia entre 20–30% e segue a fórmula consagrada pelo Acórdão TCU 2622/2013 para obras públicas.
Custo direto vs. indireto
Direto: insumos e mão de obra aplicados à obra. Indireto: administração de canteiro e central.
Custo direto inclui materiais, mão de obra produtiva e equipamentos diretamente aplicados na produção. Custo indireto cobre engenharia de canteiro, administração local, central e mobilização. O BDI cobre o indireto + impostos + lucro.
Contingência de obra
Reserva financeira para riscos identificados e desvios prováveis no orçamento.
Em obras privadas de médio porte, fica tipicamente entre 5% e 10% do CAPEX. Não é lucro: é alocada por risco. Boas práticas separam contingência (riscos conhecidos) de reserva gerencial (riscos desconhecidos).

Compliance & Normas

NR-18
Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção.
Define obrigações de PCMAT, instalações de canteiro, EPIs, máquinas e operações em altura. Atualizada em 2022, hoje exige plano específico para obras com 20+ trabalhadores. Não conformidades geram interdição e responsabilidade solidária do contratante.
NR-35
Norma regulamentadora para trabalho em altura — atividades acima de 2 metros do piso.
Exige análise de risco, treinamento, EPI específico e Permissão de Trabalho. É uma das normas com maior incidência em acidentes graves no setor.
Habite-se
Auto municipal que atesta que a obra foi concluída conforme projeto aprovado e pode ser ocupada.
Sem Habite-se, o imóvel não pode ser averbado no RGI nem entregue. Em São Paulo é emitido pela Subprefeitura, condicionado a vistorias do Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária quando aplicável.
ART / RRT
Anotação ou Registro de Responsabilidade Técnica vinculando profissional habilitado à obra.
ART (CREA, para engenheiros) e RRT (CAU, para arquitetos) são obrigatórias para projeto, execução e fiscalização. São a base legal de responsabilidade civil e criminal pela obra.

Contratos & Execução

As-built
Conjunto final de projetos atualizados conforme efetivamente executado em obra.
Inclui plantas, memoriais e cadastros revisados após eventuais alterações em obra. É essencial para operação, manutenção, retrofit e due diligence em transações imobiliárias.
RDO (Relatório Diário de Obra)
Registro diário das atividades, efetivos, clima e ocorrências em uma obra.
Documento contratual usado para comprovar produção, justificar prazos, embasar aditivos e atender exigências de fiscalização. Hoje é digital na maioria das incorporadoras e principais gestoras de obras.
Medição de obra
Apuração formal do quanto foi executado em determinado período, base para pagamento.
Processo de medir fisicamente o avanço e converter em valor financeiro, conforme cronograma físico-financeiro. Em contratos por preço unitário, a medição é mensal e atrelada a quantitativos; em EPC, segue marcos.
Aditivo contratual (change order)
Alteração formal de escopo, prazo ou valor de um contrato de obra.
Documenta mudanças posteriores ao contrato original — extensão de prazo, novos serviços, alteração de quantitativos. Em obras públicas no Brasil, limite de 25% (Lei 14.133/21). No privado é livre, mas deve seguir a governança da SPE.
Build-to-suit (BTS)
Contrato de longo prazo em que o imóvel é construído sob medida para o locatário.
O proprietário financia e constrói, o locatário ocupa por prazo longo (10–20 anos) com aluguel ajustado ao retorno. Comum em logística e indústria. Regido pela Lei 12.744/12.

Incorporação & Investimento

Incorporação imobiliária
Atividade de promover e construir empreendimentos imobiliários para venda de unidades autônomas.
Regida pela Lei 4.591/64 e Lei 10.931/04 (patrimônio de afetação). O incorporador adquire terreno, registra memorial, vende unidades na planta e responde pelas obrigações até a entrega.
Leia mais: capex incorporacao imobiliaria
FII (Fundo Imobiliário)
Fundo de investimento que aplica recursos em ativos imobiliários — tijolo, papel ou desenvolvimento.
Veículo regulado pela CVM (Instrução 472 / Resolução 175). Pode investir em ativos prontos (renda), recebíveis (CRI) ou desenvolvimento. Distribui mensalmente ao menos 95% do resultado caixa semestral.
Build-to-rent (BTR)
Empreendimento residencial multifamiliar concebido para locação, não para venda.
Modelo em forte crescimento em São Paulo: prédios inteiros operados por gestoras como assets de renda, com serviços e amenidades. Diferente de BTS, foca em residencial.
Retrofit
Reforma profunda de um edifício existente para atualizar uso, sistemas e padrão.
Vai além de reforma cosmética: pode envolver troca de fachada, climatização, hidráulica e elétrica. Em São Paulo, vem sendo aplicado em torres comerciais classe B para reposicionamento.

Sustentabilidade

LEED
Certificação internacional de sustentabilidade em edificações, do U.S. Green Building Council.
Avalia eficiência energética, água, materiais, qualidade do ar e localização. Em São Paulo, é praticamente requisito em torres corporativas AAA e atrai inquilinos multinacionais.